Processadores dinâmicos 03

April 13, 2016

Para entender o quê o compressor vai fazer, vamos começar ouvindo o som sem compressão. Para este tipo de percepção, é melhor monitorar com volume médio/alto. Com maior intensidade, percebemos melhor os ataques mais graves, de baixa frequência, assim como os transientes em geral, em todas as regiões. Para este tipo de exercício, gosto de usar um nível médio de 80 dB SPL. 

Configure o ataque e release para a velocidade máxima, com tempo mínimo de atuação. A taxa de compressão pode ser alta, em torno de 10:1. Começamos com o threshold o mais alto possível, isto é, sem atuar. Perceba o "soco", ou ataque de cada instrumento. Observe se estão mais presentes na região do sub-grave, do grave, do médio-grave, da máscara nasal, do brilho ou do ar. Abaixe lentamente o threshold, e repare como a limitação modifica primeiro o ataque ou soco do ataque, e depois a pulsação da ressonância, se o threshold continuar a ser abaixado. 

Este tipo de utilização de um compressor é chamada de "Limiter", ou "limitador". Técnicamente, limiter é qualquer compressor com taxa de compressão acima de 8:1.

Usamos essa configuração para processar somente os transientes, evitando ao máximo alterar qualquer outra parte do som. Por isso a importância dos tempos de ataque e release reduzidos.

O entendimento fica muito mais claro se se fizer sempre a comparação entre o som processado com o som original, ativando o "bypass". Foque a audição na presença dos ataques.

Você vai perceber que este tipo de compressão não altera tanto o nível aparente dos sons, mas modifica a sua presença, ao atenuar o momento inicial. Um som processado por um limiter apresentará menos transientes, o que permite que tenha um nível médio mais alto, sem saturação. Por outro lado, diminuir os transientes tira presença e definição espacial dos sons. 

Faça o teste contrário: limite um som até eliminar qualquer pulso ou ataque provocado pelos transientes. Depois ajuste o volume desse som na mix até que lhe pareça satisfatório, e aí suba aos poucos o threshold. Observe como o som ganha presença sem aumentar de volume, proporcionalmente

Experimente esta aplicação em diferentes instrumentos, que pulsem em regiões também diferentes. Pode ser uma guitarra ritmo vs. um violão base, um over de bateria, pianos... 

A utilização principal do limiter é possibilitar o aumento do nível médio, ao diminuir os transientes. Estes exercícios ajudam a entender como o limiter altera a sonoridade do material trabalhado, e em que medida auxilia ou prejudica o discurso musical. Relembrando que a escolha das prioridades no discurso musical são decisões arbitrárias, determinadas pelo arranjo. 

É importante para este exercício desenvolver, também, a percepção das regiões de "pulsação" dos sons gravados. Garanto que muitas vezes você vai se surpreender com as frequências que vão fazer o instrumento pulsar!

 

O limiter é muito usado como o último processador da cadeia na masterização, justamente para dar nível. A decisão entre perda de transientes vs. ganho de volume é um critério pessoal e estético do engenheiro de áudio.

 

Pode também ser usado antes ou depois de um compressor, com resultados diferentes. Falaremos mais sobre combinação de processadores em outros momentos.

 

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